Empresas inovadoras e investimentos em pesquisa crescem em segmentos de TI.


Estudo mostra ainda que os valores investidos por receita líquida é, entre empreendimentos do ramo, duas vezes e meia superior às das atividades econômicas de um modo geral

A participação de empresas inovadoras entre os negócios no ramo de serviços de tecnologia da informação cresceu 1,4% no Brasil, assim como os investimentos em pesquisas dessas atividades: 77,6%. Estes valores referem-se a uma média entre os índices constatados na mais recente edição do “Insights Report – Panorama do Setor de Tecnologia da Informação e Comunicação 2020”.

O estudo é produzido pela Assespro-Paraná (Associações das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação) e pelo Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A nova edição é baseada na última Pesquisa de Inovação (Pintec) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que abrange o período de 2015 a 2017, em comparação com outros dois triênios anteriores: 2012-2014 e 2009-2011.

Dentro do ramo “serviços de TI”, o estudo considerou cinco sub-setores: software sob encomenda, software customizável, software não customizável, tratamento de dados e hospedagem na internet e outros serviços em TI.

Na comparação entre o triênio mais recente (2015-2017) e o triênio imediatamente anterior (2011-2014), em quatro segmentos houve um aumento na participação de empresas inovadoras em relação ao total de empresas de todo o ramo:

Por outro lado, dos cinco segmentos, o de software sob encomenda foi o que registrou a maior taxa de crescimento nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), no período 2011-2017. O incremento foi de 124% entre os investimentos somados em 2011 (da ordem de R$ 196 milhões) e os verificados em 2017 (mais de R$ 439,5 milhões).

Na sequência, e bem na cola, o segmento “tratamento de dados e hospedagem na internet” foi o responsável pelo maior acréscimo em investimentos em P&D: 121%, passando dos R$ 265,1 milhões anotados em 2011 para R$ 586,6 milhões finalizados em 2017.

Os outros três segmentos também acumularam incrementos significativos, entre 2011 e 2017: software não customizável, 61% (de R$ 407,1 milhões para R$ 655,4 milhões); software customizável, 51% (de R$ 285,7 milhões para R$ 432,5 milhões); e outros serviços em TI, 31% (de R$ 304,3 milhões para R$ 399,7 milhões).


INVESTIMENTOS X RECEITA


O diretor-presidente da Assespro-PR, Adriano Krzyuy, ressalta que os investimentos promovidos por empresas do ramo de serviços de TI nos mais variados segmentos ganham mais relevância ainda quando analisada a proporção dos montantes em relação à receita líquida das empresas do setor. Em comparação com as demais atividades econômicas, é um investimento duas vezes e meia superior, de acordo com o que apurou o Insights Reports.

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“As empresas do ramo de serviços de TI investiram, em 2017, o equivalente a 2,2% de sua receita líquida. Já o conjunto de todas as empresas da economia investiu o equivalente a 0.9%, naquele mesmo ano”, compara o dirigente. A proporção do segmento “software não customizável” foi a maior, o dobro da média do ramo; 5,7%.


De acordo com o pesquisador Victor Manoel Pelaez Alvarez, da UFPR, as cifras só não foram maiores porque a crise econômica que impactou o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro a partir de 2015 fez com que a proporção investimento por receita líquida das empresas do ramo de setor de TI interrompesse a trajetória de ascensão. De 1,7% em 2011, havia subido para 2,4% em 2014, até sofrer ligeira redução para os 2,2% apurados no dado mais recente, de 2017.


CENÁRIO PROMISSOR


Mesmo assim, assinala o pesquisador, o cenário é promissor para o ramo de serviços de TI. “A alta importância atribuída pelas empresas inovadoras à aquisição de software, para viabilizar a inovação, revela-se como um indicador do potencial de expansão de mercado para as empresas do ramo de serviços de TI”, avalia.

A elevação do grau de importância dado, por sub-setores das indústrias extrativas e de eletricidade e gás, à aquisição de softwares para as inovações implementadas sinaliza essa impulso, conforme a constatação do Insights Reports. “Nas indústrias extrativas e nas de eletricidade e gás, a importância atribuída pelas empresas subiu, respectivamente, 18 e 8 pontos percentuais, entre 2011 e 2017”, sublinha Victor Alvarez, da UFPR.

 

MAIS INFORMAÇÕES
• O “Insights Reports” está disponível neste link: <https://www.assespropr.org.br/insights-report-2020/>. Para acessar, é necessário apenas um cadastro, gratuito.





 


 

 


 


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